Uma das crenças mais debatidas é a do criacionismo versus evolucionismo. A primeira é baseada no design inteligente de Deus das criaturas viventes na Terra. Nessa “teoria”, cada espécie possui seu lugar marcado, sendo imutável, isolado de parentesco dos outros animais e perfeitamente adaptado ao meio onde vive. A fonte de evidências se dá principalmente no “periódico” mais lido do mundo, a Bíblia, e nela a crença dos crentes é quase como um dogma. A segunda teoria é baseada em evidências, hipóteses e fatos colecionados ao longo de vários séculos, culminando no desenvolvimento da Teoria de evolução de Darwin-Wallace. A teoria evolutiva tentou organizar a natureza de modo que os seres não são mais elos perdidos, soltos, mas são ligados por linhagens de parentesco que tem um ancestral
Outra forma de transmissão hereditária de caracteres se dá através do nosso aprendizado familiar, cultural e social. Ao nascermos em alguma cultura, país, família, absorvemos detalhes comportamentais, somos embebidos em crenças e criados sob a tutela de várias ideologias. Cada caractere ficará marcado com intensidade variável de força no sistema nervoso de cada indivíduo, dependendo de vários fatores, como o tipo e a classe do caractere, o ambiente familiar, a genética do indivíduo, entre outros. Em algumas sociedades, algumas ideologias são seguidas fervorosamente como nos extremistas islâmicos ou no comunismo da União Soviética. Outras são mais maleáveis, dando margens a interpretações e passíveis de discussão. O que importa é que alguns caracteres ficarão marcados com tanta intensidade que serão quase imutáveis, como as espécies dos criacionistas.
A importância de se falar nesses caracteres hereditários “quase” imutáveis se dá na possível explicação de como algumas crenças sobrevivem mesmo sob ataque de evidências, científicas ou não, por todos os lados. Vimos a Igreja Católica aceitar que Sol é o centro do nosso sistema apenas há pouco tempo, fugindo e correndo de aceitar que a Terra é um mero planeta. Agora, temos a teoria da evolução, lutando para ser aceita nos Estados Unidos, onde grande parte das pessoas ainda acredita que a terra tem por volta de 100 mil anos e os seres são desenvolvidos de forma inteligente por um Deus onisciente, onipotente e onipresente. Em outros lugares, pesquisadores também se sujeitam a viver na dúbia realidade se acreditam no livro da sua religião ou se acreditam nas evidências, tentando mesclar os dois em algo que não é conciliável. Por que esses conhecimentos culturais são tão mais fortes e impregnam na mente?
A explicação possível seria o nosso sistema nervoso, adaptado para criar laços fortes na infância, desenvolvendo um comportamento que permite uma relação não conflituosa com nossos pais, amigos e membros da sociedade. Ao nascernum seio familiar que acredita em alguma religião, a criança será moldada justamente para dividir aquilo, estreitando os pensamentos e construindo uma unidade em vários âmbitos, familiar, político e cultural. O indivíduo, ao encontrar fatos que mostram um caminho diferente do que ele construiu na infância e que vai contra alguns preceitos da sua criação, é levado a manter a sua mesma crença. Isso é até lógico. Temos várias pessoas argumentando sobre o que basicamente são opiniões. Se a opinião diverge da sua crença, é mais fácil e menos dispendioso manter aquilo que você acredita. Afinal, romper com a sua crença irá trazer mais malefícios em primeira ordem do que benefícios.
Fatos são fatos, científicos ou não, mas o nosso convívio social é um dos nossos pilares da civilização. A herança desses caracteres de comportamento e cultura permite uma vida em sociedade, eles estejam corretos ou não.

